quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Você mexe com todas as minhas estruturas, me desestrutura, me alcança, me vira e me explora. Explora o meu avesso, suga as minhas forças, tens o dom de me multar e me transformar em delicadeza bruta, consequência da união de toda sutileza e vontade que corre em teu ser, derruba os muros construídos de pedras de orgulho, frieza, ignorância e indelicadeza que compõem traços do meu instinto. Transforma-me em fina flor, espinhos de seda e pétalas de pluma. Amor intenso, urgente, no impulso, sem dor. Será essa a receita do meu amor, do seu amor, do nosso amor ou apenas uma mistura inconsequente de surtos causados por sentimentos em fervor?. (Maria de Fátima Gomes)

Onde surge um AMOR.

Entre embaralhadas frases, lá estavamos nós: Vivendo em mundos distintos, intactos na frente de cérebros artificiais, na busca movida a "quase certeza" do insucesso, por algo, talvez, extinto. Indiretamente, lança-me uma frase que, em frações de segundos, quebra o silêncio e a timidez que estampa a minha face ilusória. Nitidamente, transformo-me em um poço de calmaria. Porém, em dias que se passam... Ao decorrer das horas... Você desaparece... Não tenho direito de ler, ao menos, a ultima palavra escrita por ti. Tenho apenas a capacidade de criar imagens umbráticas e aptidão para ouvir sons inexistentes das palavras que soam das suas cordas vocais e, velozmente , são ditas pelos delicados doces lábios criados pela imaginação criativa da meu exuberante intelecto. Diante da correria do tempo, inexperadamente, te reencontro em curtas respostas, onde, perante a intensidade da minha persistência, tornam-se, quase, infinitas. Em seguida, os mistérios guardados nas profundezas de nossas almas, são revelados na extremidade de fortes sensações. Nos entregamos a reações inexplicaveis: Mãos suadas, corpos ferventes como vulcões em processo erosivo. O olhar extremamente perdido, vivo e brilhante como um farol. Nossos corpos mergulham em longas gotas de dopamina, adrenalina, noradrenalina, feniletilamina, oxitocina... Depressa, nos misturamos como elementos em uma reação química. E entre embaralhadas frases, reaçoes e sensações, surge um gigantesco amor. (Maria de Fátima Gomes)

A suprema beleza de um sonho.

E lá estava ela, indiretamente a minha espera, sobre uma bela paisagem, intacta, encostada em um homem de pedra, que, por muitos instantes, me causava medo, mas que esteve presente em momentos quase incrimináveis. Eu me aproximava junto com meus mestres, por vezes pupilos, que em abraços, sentiam o cheiro forte da essência do seu corpo, misturado ao perfume suave e delirante usado pela mesma. Enquanto um surto psicótico silencioso me atingia, fazendo, por um segundo, meu corpo paralisar e meu espírito se afogar em sentimentos diversos: Culpa, receio, medo, angústia... E entre todos esses, começa a transbordar pelas bordas da minha alma, a paixão, ocultando todos os outros sentimentos , e logo depois, some como fumaça ao vento, e finalmente acordo daquele momento, quase fantasioso. Logo percebo a realidade que me rodeia. Curvo-me, sento-me perante toda beleza, e começo a interagir, não com palavras, mas com meios sorrisos e olhares discretos, perceptíveis apenas por ela, que indiretamente retribui-os. E assim se passa o tempo, o nosso tempo, a nossa noite coletiva e ao mesmo tempo, a dois. Sinto uma gota de água da chuva, que escorre pela pequena goteira no telhado, cair sobre minha face, me fazendo regressar rapidamente a realidade, observo tudo o que me rodeia e encontro em meu refúgio, apenas um travesseiro a apoiar-me do baque causado pelo descobrimento de tal surrealismo. (Maria de Fátima Gomes)